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~nunca choveu que num estiara~

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Não sei mais falar minha língua #4

Um amigo disse que virou "a sensação da favela" na faculdade, e eu, com o meu provável autismo, acabei interpretando literalmente. Não conhecia a expressão, mas parece comum. Não sei se é regional ou generacional, mas meu português parou no tempo e não tenho mais a menor ideia das expressões novas que vão surgindo... Já tive problemas pra entender "recalque" e "shippar" uns tempos atrás.

Não sei mais falar minha língua #3

Daí quando a gente acha que já aconteceu de tudo...

pior q na áfrica tem tanta língua bacana, mas em mtos casos nem pras q são oficiais e têm milhões de hablantes tem material pra aprender

Não sei mais falar minha língua #2

Outra que eu acabei de soltar...

bom, acho q tem bastante fumante aqui, sim
minha amostra é sesgada, massss

Não sei mais falar minha língua #1

Tô falando que meu português tá uma beleza. Mais uma pérola pra coleção:

a qualidade da mostra pode não ser boa e afetar o resultado desses testes de dna em geral

E demorou uma era pra eu perceber que tinha algo de errado com essa palavra. E já temos um culpado.

Complexos

Tá certo que (quase) nenhuma língua se escreve exatamente do jeito que se fala. Pra mim, é uma baita ginástica mental tentar escrever assim. Eu tenho que ficar falando sozinho pra ter certeza que é do jeito que eu diria. Fora que, dependendo da situação ou com quem eu tiver falando, eu falo de um jeito diferente, mais "pomposo" ou mais relaxado.

E, lógico, a fala é prolixa, redundante: tem um monte de palavras que eu escreveria, mas se eu fosse falar? Nunquinha! Eu ía dizer de outro jeito, usando uma paráfrase ou muito mais palavras. Tem gente que já tem mais facilidade pra transferir palavras do registro culto pro oral e diz elas sem nenhum complexo. Eu já sou dessas pessoas que hesitam... Simplesmente não sai.

Tudo isso pra dizer que eu tava tentando traduzir uma música do Bacotexo pra um português brasileiro coloquial, do jeitinho que eu falo, mas que no fim das contas acabou saindo uma coisa meio mista. É, eu acho que ainda tenho os meus complexos pra superar...

Contando os cuartos
Bacotexo
(Música: Daniel García; Letra: Ricardo Saavedra)

Letra Tradução (português brasileiro)
Nel asfalto vaise osmando
el milagro inevitable;
cuas maos nel bolsiyo,
contando os cuartos.
O asfalto vai anunciando
o milagre inevitável;
com as mãos no bolso,
contando o dinheiro.
Os llabores naquel campo
sempre ye costaran caro;
ele pensa noutros sitos
contando os cuartos.
Os trabalhos naquele campo
sempre custaram caro pra ele;
pensa em outros lugares
contando o dinheiro.
Hei deixar atrás el ruido absurdo
y atopar toda a paz nos brazos da noite.
Hei escorrentar el fin del mundo
nalgún bar…
Tenho que largar de vez o barulho absurdo
e achar a paz completa nos braços da noite.
Tenho que espantar o fim do mundo
em algum bar...
As palabras qu’hoi estraña,
as qu’a Ella ye sentira,
vailas repetindo
contando os cuartos.
As palavras que hoje ele sente falta,
que ele ouviu a Elha dizer,
ele vai repetindo
contando o dinheiro.
En chegando, fougo nel pantalón;
espertando, lluces crisándolo;
aguardando algo de diversión.
Quando ele chegou, fogo na calça;
despertando, luzes encegando ele;
esperando um pouco de diversão.
Anubrar el pasao, practicar os pecaos, empezar…
Quer miyor reinar
qu’encontrar un bon trabayo;
mira pra os lletreiros
contando os cuartos.
Cobrir o passado, praticar os pecados, começar…
Ele quer um objetivo maior
que encontrar um trabalho bom;
ele olha pros letreiros
contando o dinheiro.

Insomnia

Dende umhs quantos meses, sempre qu'esperto nel medio da noite e num podo dormir - cousa que me passa a miúdo dende que empeçou a pandemia -, colho daqué em gałego-asturiano pra łer. Por esso também el ritmo de łectura é abondo irregular e lento, pero é sempre umha experiéncia lamar de agradable. Presta-me essa frescura que tem, essa cousimha que num sou quem a explicar, pero que seique namais atopas nas łinguas nom normativizadas.

Anque é certo que som-che daqué antinormista, num tenho nada escontra el gałego normativo. Resulta que num é miga doado atopar grabaçoes espontáneas em gałego dialectal, pechado ou de povlo, já senha de Galicia já senha del ocidente de Asturias. Łougo, pra daquem como eu que deveça por aprender a łingua, cuido que é umha verdadeira sorte que os mais dos textos em fala tenham escritos num registro mais achegado à oralidade.

Ainda num som quem a entender segum que cousas, sinto que pouquim a pouquim já me costa menos entender el que łeo. E jáhora, mentramentes el fago, vou apuntando palavras. El passo seguinte seria incorporar essos términos nel meu gałego falado, pero hoi dia como quase já num tenho oportunidades de usá-lo, de momento quero namais seguir pasando-lo bem coel meu companheiro das noites de insomnia, e despós já veremos.

Línguas de Camarões

Engraçado como um país com tanta diversidade linguística como Camarões tenha tantas línguas tão pouco documentadas. Mesmo as informações bsicas sobre elas, tipo classificação, são esparsas e confusas. Eu imagino que muitas podem ser agrupadas como uma mesma língua, mas faltam estudos detalhados. É um mal das línguas africanas em geral, talvez por ter muitas regiões de difícil acesso por razões diversas.

Enfim, no caso específico de Camarões, infelizmente, parece que muita gente nem fala mais nenhuma língua original e o shift pras línguas dominantes (francês, inglês e kamtok) já é generalizado... Quer dizer, essa é a regra no mundo, não a exceção...

Bacotexo

Vai boa que queria mercar os quatro discos de Bacotexo, um grupo tapiego de rock em gałego-asturiano que me presta muito, pos havia uns cachimhos das suas cançoes que num era quem a entender. El problema era que tres dełos havia mercá-los numha tenda, e el outro, noutra, e num queria pagar duas vezes polos gastos de envio (internacionales) - menos na minha condiçom actual de probe estudante de doutorado sem beca. Os discos tam numha cheia de plataformas digitales, pero como adoita acontecer, num tam os libretos das łetras.

Despós de falar com Marcos Nogueiro, tam atento como é, veu de enviar-me os libretos. Tou lamar de contento porque por fim podo entender as letras das cançoes. Anque também me enviou os discos e me dijo que num fazia falta mercá-los, figem-lo por tesom em Amazon Music. Por mais música em gałego-asturiano!

⁂⁂⁂

El día da procesión
Bacotexo
(Música: Daniel García; Łetra: Ricardo Saavedra)

Łetra Tradução (português brasileiro)
Foi nel verao del noventa y ún,
el día da procesión.
Baxaba a xente perseguindo a lluz
por a Caye del Perdón.
Foi no verão de noventa e um,
no dia da procissão.
O povo saía perseguindo a luz
pela Rua do Perdão.
Pensar qu’algún tempo atrás,
condo veu el nordés,
cuas mareas de San Agustín
vinla desaparecer.
Pensar que algum tempo atrás,
quando veio o vento nordeste,
com as marés de São Agostim
vi ela desaparecer.
Hoi andaba entre vírxenes y cruces,
como úa revelación,
con vestido de festa y un sombreiro…
Hoje andava em meio a virgens e cruzes,
como uma revelação,
de vestido de baile e de chapéu…
Sentín sirenas de barcos chifrar
nel día da procesión.
Peró deitaos na playa xunta el mar
fíamos outra oración.
Ouvi sirenes de navios tocarem
no dia da procissão
Mas deitados na praia à beira do mar
fazíamos outra oração.
Volaban cuetes el día despós
del día da procesión.
El sol mancábanos ben,
dime cóndo has volver.
Soltavam rojões no dia depois
do dia da processão.
O sol incomodava a gente demais,
me diz quando você vai voltar.