±0 life

~nunca choveu que num estiara~

Posts in “gałego/português”

Migrando do Second Crack pro 11ty

Aproveitando o embalo de certas mudanças, depois de conversar com o meu amigo gênio Mocó, me animei a migrar o meu blog do Second Crack pro 11ty. Eu não sou early adopter de nada. Sempre achei chato o processo de ter que ficar committando num repositório pelo terminal pra postar, e isso foi o que me segurou uns bons anos. Mas o Netlify é fantástico! Com ele, todos os motivos que eu tinha pra não aderir aos blogs git-based acabaram. O Second Crack também é estático, mas o processo de geração depois de postar é diferente.

Gastei aí dois dias inteirinhos pra entender como funciona essa bodega e botar tudo no jeito. Tá longe do ideal e tem umas gambiarras aqui e ali, mas já que é tudo estático e "o que os olhos não veem o coração não sente", vou ligar o foda-se e fingir que tá tudo certo. Queria acreditar que vai dar pra passar pelo menos mais meia década sem ter que tocar em nada, mas como o Eleventy tá em desenvolvimento constante, até já me vejo daqui uns tempos tendo que consertar alguma coisa que quebrou... Também percebi que tá na hora de refazer o layout do zero, que já vão 8 anos remendando daqui e tapando buraco com peneira dali (a última vez que mexi nele ainda tava na graduação!). Bom, essa vai pra to-do list. Valeu por sempre me iluminar com a sua sabedoria, Mocó.

Ah, e eu acabei fazendo também uma implementação simples de webmention. Quando eu olhei a especificação uns anos atrás, parecia meio cabeluda, mas não tem muito segredo e saiu em menos de uma hora. Sinal de que, apesar dos pesares, eu devo ter progredido em algo com o passar dos anos. Provavelmente ninguém vai usar isso, tirando os spammers oportunistas, mas enfim... Acho que chega de fazer manutenção na casa por enquanto, né?

Fogar (nom tam) dulce fogar

(Ler em grafia ALLA)

Anque marchara del Brasil nel 2015, astá agora mui poucas forom as vezes nas que chegueim a sentir senhardade. É bem certo que guardo dalgo de rencor por umhas razoes que num resultaria doado explicar em poucas łinhas. Assi e todo, del 2014 tenho recordos la mar de prestosos, seique poła intensidade côa que vivim aquel ano. Dende aqueła volvim à casa namais duas vezes: umha nel 2016 e outra nel 2019. Em entrambas, se quadra por mor del momento político dełicado, topei-me cum gram chasco al dar-me conta de que del Brasil das mias acordanças restava já bem pouco.

Fum fato al deixar-me enganhar poła ilusom de que éramos-che gente de mente aberta, e que, maguer todos os problemas, a lo menos havia-che entre nosoutros um certo progressismo. El que havia era mais bem um frágil respecto, que se viu sacudido połos cambios políticos e a radicalizaçom da direita. Hoi em dia a gente tá enferma: pinta que todo el mundo se sente com direito de ofender aos que num pensam ou som coma ełos, coma se de supetom já num tivessem vergonça de deixar transparecer a feiura que hai nel mais fundo del sou ser. Polarizaçom, intoleráncia, ódio, violéncia, falso moralismo.

E cada vez marcheim dali mais desenganhado, orfo, acongoixado e cum desacougo que astá entoncias nom era quem de poer em palavras. Mirando cara atrás, vejo que passara a vida vivendo dentro dumha borbuja, na realidade paralela dos mios círculos sociales limitados. E quando de sotaque estoupou-se-me a borbuja e salim deła, xahora, acabou-se-me a fantasia. Sempre vou dezindo por aí que num boto miga de menos Brasil. Corrijo-me, pois: el Brasil que me presta e que boto de menos quedou atrás. Al melhor, enjamais num existiu, ou existiu namais naquel microcosmos unde vivia eu.

(Ler en grafía AGAL)

Anque marchara del Brasil nel 2015, asta agora mui poucas foron as veces nas que cheguéin a sentir señardá. É ben certo que guardo dalgo de rincor por úas razóis que nun resultaría doado explicar en poucas lliñas. Así y todo, del 2014 teño recordos lamar de prestosos, seique polla intensidá cúa que vivín aquel ano. Dende aquella volvín á casa namáis dúas veces: úa nel 2016 e outra nel 2019. En entrambas, se cuadra por mor del momento político dellicao, topéime cún gran chasco al darme conta de que del Brasil das mías acordanzas restaba xa ben pouco.

Fun fato al deixarme engañar polla ilusión de que éramosche xente de mente aberta, e que, maguer todos os problemas, alomenos habíache entre nosoutros un certo progresismo. El que había era máis ben un fráxil respecto, que se víu sacudido pollos cambios políticos e a radicalización da dreita. Hoi en día a xente ta enferma: pinta que todo'l mundo se sinte con dreito d'ofender ós que nun pensan ou son coma ellos, coma se de supetón xa nun tivesen vergonza de deixar transparecer toda a feúra que hai nel máis fondo del sou ser. Polarización, intolerancia, odio, violéncia, falso moralismo.

E cada vez marchéin d'alí desengañao, orfo, acongoxao e cún desacougo qu'asta entoncias non era quen de puer en palabras. Mirando cara atrás, vexo que pasara a vida vivindo dentro d'úa burbuxa, na realidá parela dos míos círculos sociales limitaos. E cuando de sotaque estoupóuseme a burbuxa e salín della, xaora, acabóuseme a fantasía. Sempre vou decindo por ei que nun boto miga de menos Brasil. Corríxome, pos: el Brasil que me presta e que boto de menos quedou atrás. Al miyor, enxamáis nun esistíu, ou esistíu namáis naquel microcosmos unde vivía eu.